A gestão organizacional: em busca do
comportamento holístico
As
organizações modernas estão imersas em ambientes dinâmicos, provocando
alterações radicais na forma de serem gerenciadas. A solução deste problema
está na capacidade dos gestores em aprender a aprender o novo e desaprender o
passado, o obsoleto, ou seja, passa por uma reconceitualização dos modelos
mentais de cada indivíduo, refletindo, por conseguinte, na própria mudança de
atitude da organização como instituição constituída.
Em
outras palavras, o aprendizado individual e o aprendizado em equipe influenciam
o aprendizado institucional da organização. É, na verdade, a capacidade de
explorar oportunidades de maneira flexível e adaptativa à geração de novas
ideias, sejam elas obtidas por meio de atividades revestidas de sucesso ou
mesmo de fracasso, haja vista que em toda e qualquer situação há sempre lições
de aprendizado. Sendo assim, a grande vantagem competitiva das organizações
contemporâneas está no conhecimento adquirido individual ou institucionalmente
por organizações de sistemas abertos. Sabe-se hoje que a organização como
sistema fechado teve êxito em seu tempo, mas agora está fadada ao fracasso.
Para ser mais contundente a empresa tem de ser administrada de maneira
holística, sendo autotransformada e autoreinventada continuamente.
Não
existe, no entanto, um motivo antecipado para condenar lentamente o paradigma
dominante atual à medida que o tema é encaminhado, já que a finalidade deste
texto é de criar o debate e a reflexão dos dois paradigmas: um classificado
como paradigma ultrapassado, o newtoniano-cartesiano, ou reducionista que é
também o dominante nos dias atuais, e o outro, o paradigma moderno, o
holístico.
Existe,
no momento, uma defesa ao paradigma holístico para as organizações, sob a visão
de um novo tempo de transformações e turbulências pelas quais as empresas
deverão atravessar. Desta forma temos a impressão que só através dessa interpretação
as organizações irão amortecer os abalos de um ambiente competitivo, repleto de
incertezas, imprevisibilidade e instabilidade.
Desde
já devemos afastar a ideia que o novo paradigma é a salvação para o sucesso das
organizações, mesmo porque a visão atual nos mostra que os paradigmas, na
realidade, são complementares e não excludentes em alguns casos. Isto significa
que se o paradigma anterior não foi uma solução mágica, o modelo holístico
também não o será.
Desta
forma fica clara a preocupação em discutir a complementaridade entre estes dois
paradigmas e não simplesmente considerar um ou outro como sendo o correto para
as organizações na atualidade, tendo em vista que a aplicação pura e simples de
u m deles é utópica.
O modelo newtoniano-cartesiano: o
reducionismo.
Este
paradigma está apoiado em elementos como o reducionismo e a fragmentação na
interpretação de fenômenos; o determinismo levado a extremos; a
previsibilidade, a certeza e a estabilidade de causas dos fatos do ambiente, o
método analítico e indutivo de estudo; as cadeias lineares de causa e efeito e
o conhecimento restrito ao entendimento de disciplinas isoladas. Dentro deste
raciocínio os fenômenos complexos só deveriam ser compreendidos se reduzidos em
partes, sendo o resultado final a soma das partes totais.
Existem
pontos fortes e pontos fracos na interpretação das organizações como máquinas.
Como ponto forte, há o fato de as organizações mecanicistas funcionarem bem
somente sob condições em que as máquinas também funcionam. Por exemplo, quando
existem tarefas contínuas e rotineiras a serem desempenhadas; quando o ambiente
é estável quando o produto é sempre o mesmo; e, principalmente, quando os
componentes humanos da “máquina” são servis e se comportam como planejado.
Como
limitações, ainda mais evidentes, nos dias atuais, pode-se citar, por exemplo,
que esse tipo de organização dificulta a adaptação constante em momentos de
mudança e cria um efeito desumanizante sobre os empregados, fator que está
totalmente fora de cogitação na construção de empresas modernas. Com isso não
se quer dizer que ainda hoje não existem tais estilos de organizações, ou que
as que existem não dão certo; certamente dão, porque o indivíduo, por sua
própria característica de sobrevivência e de história de vida, acaba se
adaptando muito melhor a organizações desse tipo, o ser uma verdadeira máquina
em busca de estabilidade, previsibilidade e certeza.
É
por isso que não há processo de aprendizagem e criatividade no paradigma
antigo, pois o reducionismo e a fragmentação não abrem espaço para a discussão
de ideias divergentes, ou seja, não existe dialogo ou, quando há, é pobre de
argumentos.
Entretanto,
as pessoas ainda nascem, crescem, estudam, vão para a universidade, para as
empresas, sempre sob o apoio de interpretações das partes para entender o todo.
Homens e instituições são
independentes entre e dentro de si, o que é um erro. Para emergir desse
erro, o caminho é ser interdependente, interligado, e não elemento isolado do
todo maior, porque, ao dividir o todo para interpretar suas partes,
constroem-se “todos” menores, e não partes de um todo maior. Em resumo, ao
dividir um elemento em partes menores para ser estudado, outros elementos estão
se constituindo.
Alguns
dos assuntos aqui tratados serão retomados na seção seguinte, na qual haverá um
debate sobre o novo paradigma, o holístico, bem como um paralelo entre o velho o
novo paradigma.

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